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sexta-feira, 5 de março de 2010

obscene


Isla Catalina, Republica Dominicana
2009

"Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."
Eugénio de Andrade

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

cinco anos

para a Mariana, com saudades


Vila Nova de Foz Coa, Portugal
2009


"Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver."
Eugénio de Andrade

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

where?


São Martinho do Porto, Portugal
2009

"Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?"

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

quatro anos

para a Mariana, com saudades


Monteverde, Costa Rica
2008


"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."
Eugénio de Andrade

domingo, 23 de novembro de 2008

é outono


Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2008


"É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.

Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.

Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."
Eugénio de Andrade, Vegetal e só

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

quem procura?


Praia Grande - Porto Covo, Portugal
2008


"Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha."
Eugénio de Andrade

sábado, 5 de maio de 2007

promessas à terra


Pontões de Dine - Bragança, Portugal
2007


"Donde vêm?
De que rosto, de que estrela?

Apenas uma arde no vento.
As outras, fico a ouvi-las
escorrer da pedra.

Apenas uma em silêncio brilha.
As outras mordem
um coração de homem.

Só prometido à terra."
Eugénio de Andrade, Donde vêm?

domingo, 2 de julho de 2006

be right back


Braga, Portugal
2006


"Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia."
Eugénio de Andrade, O lugar da Casa

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