obscene

Isla Catalina, Republica Dominicana
2009
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."
Eugénio de Andrade
impressões de luz no meu coração

Posted by anaPaipita at 5.3.10 2 comments
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para a Mariana, com saudades

Posted by anaPaipita at 2.10.09 2 comments
Labels: eugénio de andrade, poesia, portugal, são martinho do porto
para a Mariana, com saudades
Monteverde, Costa Rica
2008
"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."
Eugénio de Andrade
Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2008
"É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."
Eugénio de Andrade, Vegetal e só
Posted by anaPaipita at 23.11.08 2 comments
Labels: águas santas, eugénio de andrade, poesia, portugal, póvoa de lanhoso
Praia Grande - Porto Covo, Portugal
2008
"Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha."
Eugénio de Andrade
Pontões de Dine - Bragança, Portugal
2007
"Donde vêm?
De que rosto, de que estrela?
Apenas uma arde no vento.
As outras, fico a ouvi-las
escorrer da pedra.
Apenas uma em silêncio brilha.
As outras mordem
um coração de homem.
Só prometido à terra."
Eugénio de Andrade, Donde vêm?
Braga, Portugal
2006
"Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia."
Eugénio de Andrade, O lugar da Casa
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