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segunda-feira, 21 de novembro de 2005

passa, ave


Canoa, Equador
2005


"Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"
Alberto Caeiro, «O Guardador de Rebanhos»

domingo, 20 de novembro de 2005

naufrágio #2


Canoa, Equador
2005


"De queda em queda ainda chamejaste e cantaste.
De pé como um marujo sobre a proa de um barco.
Floresceste ainda em cantos e brotaste em correntes.
Oh sentina de escombros, poço aberto e amargo.
Mergulhador cego e pálido, derrotado e fundeiro,
descobridor perdido, tudo em ti foi naufrágio!"
A Canção Desesperada, Pablo Neruda

sábado, 19 de novembro de 2005

naufrágio


Canoa, Equador
2005

"Tu devoraste tudo, qual devora a distância.
Como o mar, como o tempo. Tudo em ti foi naufrágio!"
A Canção Desesperada, Pablo Neruda

sábado, 8 de outubro de 2005

carajo!


Canoa, Equador
2005

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

o que o mar nos deixa


Canoa, Equador
2005


"Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade."
Liberdade, Sophia de Mello Breyner Andresen

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