domingo, 26 de novembro de 2006

dois anos

para a Mariana

La Piscina - Tayrona, Colombia
2006


"Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei."
Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia

1 comments:

Anónimo 11/29/2006 10:24 da tarde  

linda!
adorei as cores e a composicao
... mas aquele horizonte merecia um rotate'zito ;D
:**

Impressões

Grãos no pó

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