sábado, 29 de agosto de 2009

sempre


Coimbra, Portugal
2009

"Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
– Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história...

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e do mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens."
Vinicius de Moraes, O Haver



nada é perfeito

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

lembra-me um sonho lindo


Praia do Castelejo - Algarve, Portugal
2009


[tentativa musical #14]

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

if I was little...


Raposeira - Algarve, Portugal
2009

os sapatos da Luizinha,
para cortar o azul

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

sunny grapes


Praia de Beliche - Algarve, Portugal
2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

indian railways



Índia
2007

domingo, 16 de agosto de 2009

o essencial é invisível aos olhos
[considerações acerca da responsabilidade]


Rishikesh, Índia
2007


E então voltou para a beira da raposa e disse:
- Adeus...
- Adeus - disse a raposa. Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos...
- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que a tornou tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

terça-feira, 11 de agosto de 2009

barquinhos de papel


Praia de Beliche - Algarve, Portugal
2009



[tentativa musical #13]

mais informo que estão em actualização os links musicais deste blog: procurar por tag música

quarta-feira, 29 de julho de 2009

hook me up


Azenha do Mar - Alentejo, Portugal
2009



"Inclinado en las tardes tiro mis tristes redes
a tus ojos oceánicos.

Allí se estira y arde en la más alta hoguera
mi soledad que da vueltas los brazos como un náufrago.

Hago rojas señales sobre tus ojos ausentes
que olean como el mar a la orilla de un faro.

Sólo guardas tinieblas, hembra distante y mía,
de tu mirada emerge a veces la costa del espanto.

Inclinado en las tardes echo mis tristes redes
a ese mar que sacude tus ojos oceánicos.

Los pájaros nocturnos picotean las primeras estrellas
que centellean como mi alma cuando te amo.

Galopa la noche en su yegua sombría
desparramando espigas azules sobre el campo"
Pablo Neruda

segunda-feira, 20 de julho de 2009

the lonely cherry


Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

santo antónio casamenteiro...


Lisboa, Portugal
2009

"Na noite de Santo António,
É que se tomam amores,
Que está o trigo granando,
E o campo cheio de flores."
(daqui)

sábado, 4 de julho de 2009

do fish like green?


Azenha do Mar - Alentejo, Portugal
2009

sábado, 27 de junho de 2009

light blue


Azenha do Mar - Alentejo, Portugal
2009

"Mesmo que não conheças nem o mês nem o lugar
caminha para o mar pelo verão"
Ruy Belo

quarta-feira, 24 de junho de 2009

selfmade me #2


Aljezur, Portugal
2009

Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Álvaro de Campos

domingo, 21 de junho de 2009

our own paradise


Praia das Furnas - Algarve, Portugal
2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

something wrong?


Praia do Carvalhal - Alentejo, Portugal
2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

national pride


Sagres, Portugal
2009

"A Europa jaz, posta nos cotovellos:
De Oriente a Occidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabellos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovello esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquelle diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se appoia o rosto.

Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Occidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.
Fernando Pessoa, Mensagem"

quinta-feira, 4 de junho de 2009

patchwork


Ponta de Sagres, Portugal
2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

era uma vez um pneu



Porto, Portugal
2009

safei-me! :)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

com gente, que o resto é só desculpa


Zambujeira do Mar, Portugal
2009

"Devemos andar sempre bêbados.
É a única solução.
Para não sentires o tremendo fardo do tempo que te despedaça os ombros e te verga para a terra, deves embriagar-te sem cessar.
Mas com quê?
Com vinho, com poesia ou com a virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, nos degraus de um palácio, sobre as verdes ervas de uma vala, na solidão morna do teu quarto, tu acordares com a embriaguez já atenuada, pergunta ao vento, à onda, à estrela, à ave, ao relógio, a tudo o que se passou, a tudo o que gemeu, o tudo o que gira, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são: "São horas de te embriagares. Para não seres como os escravos martirizados do tempo, embriaga-te, embriaga-te sem cessar! Com vinho, com poesia, ou com a virtude."
Charles Baudelaire


a meu gosto é com pessoas

quinta-feira, 21 de maio de 2009

babies on the way


Comporta, Portugal
2009

A lenda da cegonha surgiu na Escandinávia. Conta-se que, na época em que os bebés nasciam em casa, as mães diziam aos filhos que os bebés tinham sido trazidos pela cegonha, justificando assim o aparecimento repentino do novo membro da família. Para explicar o descanso da mãe depois do parto, dizia-se que antes de partir a cegonha tinha picado a sua perna.
A lenda espalhou-se pelo mundo no século XIX, através dos contos do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.
(daqui)

Impressões

Grãos no pó

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