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Puerto Viejo, Costa Rica
2008
impressões de luz no meu coração
Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2008
É chegada a altura de "queimar" o ano velho e recomeçar.
Deixo aqui um texto que recebi de uma amiga (obrigada, Paulinha!):
"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."
Carlos Drummond de Andrade, Receita de Ano Novo
Posted by anaPaipita at 31.12.08 0 comments
Labels: águas santas, anaPaipita, carlos drummond de andrade, poesia, portugal, póvoa de lanhoso
Mira, Portugal
2008
"As rosas amo dos jardins de Adónis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas,
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol, e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente
Que há noites antes e após
O pouco que duramos."
Ricardo Reis, Poesia
Posted by anaPaipita at 26.12.08 2 comments
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para a Mariana, com saudades
Monteverde, Costa Rica
2008
"Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias."
Eugénio de Andrade
Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2008
"É outono, desprende-te de mim.
Solta-me os cabelos, potros indomáveis
Sem nenhuma melancolia,
Sem encontros marcados,
Sem cartas a responder.
Deixa-me o braço direito
O mais ardente dos meus braços,
O mais azul
O mais feito para voar.
Devolve-me o rosto de um verão
Sem a febre de tantos lábios,
Sem nenhum rumor de lágrimas
Nas pálperas acessas.
Deixa-me só, vegetal e só,
Correndo como rio de folhas
Para a noite onde a mais bela aventura
Se escreve exactamente sem nenhuma letra."
Eugénio de Andrade, Vegetal e só
Posted by anaPaipita at 23.11.08 2 comments
Labels: águas santas, eugénio de andrade, poesia, portugal, póvoa de lanhoso

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Volto ja.....
Arrifana, Portugal
2008
"Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa
E os passos que deres nesse caminho duro do futuro
dá-os em liberdade
Enquanto não alcances não descanses
De nenhum fruto queiras só metade.
E nunca saciado,vai colhendo ilusões sucessivas no pomar
sempre a sonhar
E vendo, acordado
O logro da aventura
És Homem, não te esqueças
Só é tua a loucura, onde, com lucidez te reconheças".
Miguel Torga
Fatehpur Sikri - Agra, Índia
2007
É repetida, eu sei... mas não havia melhor forma de comemorar o facto de poder ser vista no Museu do Oriente até 10 de Outubro, ou na Revista Cais de Setembro (#133).

Praia Grande - Porto Covo, Portugal
2008
"Procura a maravilha.
Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.
No brilho redondo
e jovem dos joelhos.
Na noite inclinada
de melancolia.
Procura.
Procura a maravilha."
Eugénio de Andrade
Algarve, Portugal
2008
"Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão —
Porque não tinha que ser.
Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído."
Alberto Caeiro
Posted by anaPaipita at 28.8.08 0 comments
Labels: alberto caeiro, algarve, fernando pessoa, poesia, portugal

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