time is too fast?
Photo Friday: Passage of Time
Deserto de Thar, Índia
2007
impressões de luz no meu coração
Jaipur, Índia
2007
Que este ano seja cheio de cor, são os meus votos, para todos vocês que aqui vêm.

Udaipur, Índia
2007
"Se partires, não me abraces - a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas."
Maria do Rosário Pedreira
(descoberto aqui)
Posted by anaPaipita at 30.12.07 0 comments
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Póvoa de Lanhoso - Braga, Portugal
2007
"Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Posted by anaPaipita at 27.12.07 0 comments
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Taj Mahal - Agra, Índia
2007
com esta fotografia semi-nocturna pretendo apenas um olhar diferente daquele a que estamos habituados
(bom, se calhar pretendo-o com todas as fotografias...)
é que já o vimos milhares de vezes, em milhares de fotografias
e, ainda assim, quando nos confrontamos com a imponente simplicidade do Taj Mahal não permanecemos indiferentes...
(ao que alguém me disse: "isso é o que distingue as verdadeiras maravilhas das outras")

Fatehpur Sikri - Agra, Índia
2007
"Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Posted by anaPaipita at 3.12.07 0 comments
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para a Mariana
Agra, Índia
2007
"Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas."
Sophia de Mello Breyner Andresen, Prece
Posted by anaPaipita at 26.11.07 2 comments
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Fatehpur Sikri - Agra, India
2007
"Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea —
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma,
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem —
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração."
Álvaro de Campos
Posted by anaPaipita at 14.11.07 0 comments
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Delhi, India
2007
new delhi é apenas um nome, dado a uma estação que não parece mais nova do que old delhi
estamos habituados a ver as estações de comboios como zonas de passagem, mas por vezes não é bem assim: se a estação não fechar durante a noite, há pessoas que transformam os bancos e o chão em camas
isto acontece em Portugal, e, provavelmente, em todo o mundo
o que é impressionante na Índia é (como em quase tudo, se calhar) a escala astronómica a que isto se passa.

Delhi, India
2007
pequena nota sobre as fotografias da Índia
é difícil explicar a chegada e a permanência na Índia
palavras como sons, cheiros e cores são inexpressivas, por mais adjectivos que as adornem, e penso que as imagens talvez o sejam também
mas (e como sempre) fica a tentativa
ao contrário do que normalmente acontece, há alguns retratos
porque é impossível, numa viagem como esta, que não apareçam pessoas
(mesmo quando o desconforto de as espreitar atrás de uma lente permanece)

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vim só aqui crescer um bocadinho e volto já
obrigada a todos, e até novembro
Delhi, India
2007
Viseu, Portugal
2007

Islas Cíes, Espanha
2007
Torrão - Alentejo, Portugal
2007
"O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
ardente perfeição da tua ausência"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Posted by anaPaipita at 24.9.07 0 comments
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Islas Cíes, Espanha
2007
preciso de uma máquina que acompanhe os meus olhos
(frase batida, eu sei...)
Torrão - Alentejo, Portugal
2007
"Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...
Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?
Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo..."
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos
Posted by anaPaipita at 14.9.07 1 comments
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Águas Santas - Póvoa de Lanhoso, Portugal
2007
a vida é frágil, demasiado frágil
e demasiadas vezes brincamos com ela
Alentejo, Porugal
2007
"Não creias, Lídia, que nenhum estio
Por nós perdido possa regressar
Oferecendo a flor
Que adiámos colher.
Cada dia te é dado uma só vez
E no redondo círculo da noite
Não existe piedade
Para aquele que hesita.
Mais tarde será tarde e já é tarde.
O tempo apaga tudo menos esse
Longo indelével rasto
Que o não-vivido deixa."
Sophia de Mello Breyner Andresen
(Homenagem a Ricardo Reis, 1972)
Posted by anaPaipita at 23.8.07 3 comments
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Praia da Arrifana - Algarve, Portugal
2007
...e quem anda nele é que se amola.
(assim dizia o meu avô)
Azenha do Mar - Alentejo, Portugal
2007
"A amizade não se procura, não se imagina, não se deseja; exercita-se (é uma virtude)"
Simone Weil
Posted by anaPaipita at 17.8.07 2 comments
Labels: alentejo, azenha do mar, citações, portugal, simone weil

Viena, Áustria
2007
"Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade.
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada,
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos,
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença."
Alberto Caeiro
Viena, Áustria
2007
"a minha solidão é demasiado vulgar para que os meus amigos a preencham"
Rui Nunes
(daqui)
Ouzoud, Marrocos
2004
"Nem tive bem tempo para pensar, ou se calhar foi tempo demais, por isso não me mentalizei.
Tudo bem programado, mas as pressas de última hora são indispensáveis para se deixar algo para trás, é quase obrigatório. Nada de muito importante, do mal o menos. Houve até quem dissesse: basta o passaporte e o cartão de crédito: o resto compra-se. Será mesmo assim?
Coimbra. Encontro. Pressa. Partida. Sem grandes sobressaltos.
Assim se passa a noite em viagem, num topor de sono semi-desperto, e ao chegar era já de dia, e num instante estávamos do outro lado: um mundo à parte. Aqui tão perto, como é que é possível???
Surpreendi-me: montanhas, verde, campos, água, neve... Não o deserto castanho amarelo e seco que tinha imaginado, tirando, claro, no deserto, onde dromedários estafados e "berberes" cansados de turistas nos levam para a imensidão do nada, sob uma lua cheia gigante que tudo vê, de que nada se esconde. Dunas imensas, umas a seguir às outras, umas atrás das outras. O melhor "tajine", partilhado e comido à mão, acompanhado com pão. Fogueiras rodeadas de música. Paz.
Mas o caos é total: cidades enormes, desorganizadas, casas apinhadas, ocres, pessoas, animais, tudo numa grande mistura de sons, pregões, espanhol e francês misturados com árabe, ladaínhas intermináveis às horas certas insinuando-se por todo o lado, chamando, rezando, cheiro a carne fresca acabada de matar, de cortar, lã, pó, couro, comidas, excrementos dos burros que passam nas ruas estreitas como táxis apressados, sem ver, sem sentido, atropelando-se com bicicletas e gente, gente, gente até perder de vista, por entre a luz que vem do tecto onde o céu nos ilumina. O chão sujo da vida que não pára. Lutas de rua, macacos, serpentes e bailarinas que afinal são homens, videntes, música de tambores, pandeiros e pandeiretas, cornetas, vozes roucas, charradas, nem sempre animadas, homens, muitos homens. Mulheres cobertas, tapadas, escondidas. A água chalada, cheiro intenso a menta, despejada do alto, metal para vidro, calor que se funde no ar.
Indescritível...
Imperdível."
13.04.2004

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