passados quase três anos decidi regressar às fotos de marrocos, e dar-lhes uma voltinha... preencho assim a falta de fotografias que tenho neste momento (o que significa que estou a precisar de férias, de uns fins de semana, ou de outra coisa qualquer...) há mais fotos, já postadas noutras alturas, se quiserem vê-las procurem por marcador de marrocos, talvez seja mais fácil. a minha preferida é a foto de abertura deste estaminé... (imagino que estivessem muito interessados em saber...)
"Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém." Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo (A lucidez perigosa)
"Y si va a llover... ¡que llueva!, Al fin que buena falta le está haciendo al maíz. Y si el cielo se va a romper, Pa´lo desfundao que está, que se siga rompiendo. Porque lo que es el pueblo Ya está aprendiendo a mirar pa´ arriba; que´s onde´stan los que fabrican estos cuentos; y al colmo que va pasando el tiempo su fuerza va creciendo" ¿Pa ´Qué Aguantar Tanto?, Jorge Veloz
(não vou deixar a letra porque a tradução que está na página dela me parece criminosa, é bem mais bonita no original...)
Mayra Andrade, dona de uma voz irresistível, e com uma presença em palco que é, no mínimo, emocionante, fez ontem, no Centro Cultural Vila-Flor, um dos melhores espectáculos que já vi.
Os músicos que a acompanham não lhe ficam atrás, são excelentes.
Estas imagens (que nem sequer deviam ter sido tiradas) servirão mais para a divulgação desta Senhora (não que ela precise da minha humilde divulgação, é certo) do que para mostrar os meus talentos fotográficos, que vocês já conhecem e sabem, portanto, que não dão para muito mais do que isto... ;)
Além disso não ilustram nem um bocadinho do que ali se passou....
(mais me valia estar calada, ou então nem sequer ter postado as fotos...)
"Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar" A Gente Vai Continuar, Jorge Palma
"A Panama hat or just Panama is a traditional brimmed hat that is made from the plaited leaves of the panama-hat palm (Carludovica palmata). Despite the name, genuine Panama hats are made in Ecuador, not Panama; their name comes from the fact that they came to prominence during the construction of the Panama Canal when thousands of the hats were imported from Ecuador for use by the construction workers." (Wikipedia)
"Eu ando pelo mundo prestando atenção
Em cores que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo, cores
Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
E como uma segunda pele, um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Eu quero chegar antes
Pra sinalizar o estar de cada coisa
Filtrar seus graus
Eu ando pelo mundo divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome dos meninos que têm fome
Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
(Quem é ela? Quem é ela?)
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde
Transito entre dois lados, de um lado
Eu gosto de opostos
Expondo meu modo, me mostro
Eu canto para quem?
Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria meu cansaço?
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado" Esquadros, Adriana Calcanhotto
para a Mariana La Piscina - Tayrona, Colombia 2006
"Se todo o ser ao vento abandonamos E sem medo nem dó nos destruímos, Se morremos em tudo o que sentimos E podemos cantar, é porque estamos Nus em sangue, embalando a própria dor Em frente às madrugadas do amor. Quando a manhã brilhar refloriremos E a alma possuirá esse esplendor Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem, Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem. No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu — eco da lua E dos jardins, os gestos recebidos E o tumulto dos gestos pressentidos Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei, Não pelo meu rumor que só perdi, Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei E em cujo amor de amor me eternizei." Sophia de Mello Breyner Andresen, Poesia
"O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma. Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea. Espaço vazio, em suma. O resto, é a matéria. Daí, que este arrepio, este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo, esta fresta de nada aberta no vazio, deve ser um intervalo." António Gedeão, A máquina do mundo
Taganga - Santa Marta, Colômbia 2006 "As suas origens remontam ao século IV a.C no Sudeste Asiático. Utilizava-se então uma porção de arroz cozido para conservar o peixe salgado através da fermentação do arroz. Meses depois, o arroz era descartado e o peixe consumido. Introduzido na China por volta do século VIII d.C., chega ao Japão no período Heian (final do século VIII até o século XII." Wikipédia, a enciclopédia livre
"Eu amei Eu amei, ai de mim, muito mais Do que devia amar E chorei Ao sentir que iria sofrer E me desesperar
Foi então Que da minha infinita tristeza Aconteceu você Encontrei em você a razão de viver E de amar em paz E não sofrer mais Nunca mais Porque o amor é a coisa mais triste Quando se desfaz" Amor em paz, Vinicius de Moraes