lisboa à noite
Lisboa, Portugal
2007
impressões de luz no meu coração
faz hoje dois anos que comecei a deixar aqui as minhas memórias fotográficas
este blog é exactamente sobre isso: os sítios em que estive, as pessoas que estão comigo (e que quase nem aparecem), as músicas, as pequenas lembranças que me deixa cada momento
obrigada a todos os que partilham esta memória comigo!
Medina - Fez, Marrocos
2004
(não deixa de ser curioso estar agora a postar fotografias da mesma altura desta, que foi a primeira...)
Marrocos
2004
País Basco, Espanha
2007
"Mar adentro, mar adentro,
y en la ingravidez del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades
para cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida
con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis
mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como penetrar al centro del universo:
El abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos
en un único deseo:
Tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo, sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo
por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos"
Ramón Sampedro,
Mar Adentro
Pontões de Dine - Bragança, Portugal
2007
"Donde vêm?
De que rosto, de que estrela?
Apenas uma arde no vento.
As outras, fico a ouvi-las
escorrer da pedra.
Apenas uma em silêncio brilha.
As outras mordem
um coração de homem.
Só prometido à terra."
Eugénio de Andrade, Donde vêm?

Biarritz, França
2007
Quando olho para a frente assusto-me.
Penso no que vivi, no que ouvi, no que senti, no que aprendi e no que sei, e percebo que os passos que me esperam são bem maiores do que as minhas pernas...
Falta-me ainda o mundo...
Inteiro.
Merzouga, Marrocos
2004
"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo"
Vinicius de Moraes
Ait Benhaddou, Marrocos
2004
"Não acredito em Deus porque unca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(...)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele.
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhes chamo eu Deus?
Chamo-lhes flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes,
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso obedeço-lhe.
(...)
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora."
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos
Photofriday: Fantasy
Ait Benhaddou, Marrocos
2004
"Hoje, confesso, acordei com vontade de ser feliz.
Amarrei, até, no pulso o amor-perfeito
que foi secando no meu peito e retomei a velha máxima:
não deixar que qualquer angústia atinja o coração.
Um castelo de areia, é tudo quanto quero
para acostar o meu barco de papel."
Hoje, confesso, acordei com vontade de ser feliz, Graça Pires
Merzouga, Marrocos
2004
"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grande chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive. "
Procura-se um amigo, Vinicius de Moraes

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